Arquivo para Janeiro, 2008

um dom, um chamado

Há alguns anos atrás surgia em meu coração uma paixão por missões. Tempos depois eu conhecia a Jocum e sonhava em ser missionário em tempo integral. Já não interessava mais estudar, trabalhar ou desenvolver qualquer vocação “secular”. O meu coração pulsava apenas por falar do amor de Deus às pessoas. Um sonho puro, com uma motivação correta, mas ainda muito imaturo.

Após duas semanas apenas, Deus tem trazido um entendimento novo e diferente sobre missões, onde missionários formados ou com uma vocação e experiencia profissional definida podem frutificar no reino de Deus, cada um segundo a sua espécie. Um missionário jornalista, designer, relações-publica, cartunista… todos usando os seus dons e talentos a serviço do reino, para propagação da mensagem da cruz; ou mesmo incentivando o vocacionado que, como eu, um dia recebeu o chamado de Deus, sentiu uma dor no estomago, o coração acelerar e não sabe o que fazer ou para onde ir.

Saber que Deus me ama como eu sou e mais, que pode me usar com meus dons e talentos, me faz me sentir cada vez mais amado e vocacionado a servi-lo com toda a minha força, com todo o meu coração e por todo o tempo da minha vida.

amanheceu

São 06h30 da manhã, o celular desperta avizando que é hora de acordar. Do meu beliche olho pela janela e vejo apenas névoa, nem sinal do sol pra hoje.  Pulo da cama e vou correndo direto para o segundo lugar mais quentinho daqui: o chuveiro a gás, com água morna, de onde demoro a sair. Os outros dois lugares quentes são a cozinha e a minha cama. Fora o chuveiro todo o resto é frio: a água da torneira é fria, ao ponto de doer os dentes na hora da escovação; o assento do sanitário… sem comentário. As 7h tenho que estar lá em baixo, me visto de calças, camisas, moleton e sapato com meia e saio para o meu tempo de meditação, onde vou orar e ter um tempo a sós com Deus ouvindo-o através de sua palavra. É um tempo gostoso, que só é interrompido pelo soar da sirene avisando que é hora do café da manhã, às 8h.

As 8h30 começa a aula. E dai até as 12h30 meus olhos nem piscam direito. É tudo muito novo, muito bom e muito transformador. Transformando o carater, a visão, o modo de ver o mundo, as coisas, as pessoas. Uma nova visão e direção pra entender qual realmente é a minha missão. E ao final do dia eu percebo o quanto foi bom eu ter enfrentado todos os meus medos de deixar tudo para estar aqui. Tem valido a pena e eu estou feliz.

o lugar que Deus me trouxe

As 11h30 da manhã de domingo (13.jan) o avião pousou no aeroporto de Curitiba. Olhando lá  do alto as casinhas pequenas, as escolas, indústrias, eu pensava em quanta gente estava em suas rotinas, repetindo os mesmos programas de domingo, enquanto uma fase nova e emocionante da minha vida começava. Ao mesmo tempo, examinava o meu coração percebendo que não havia ansiedade alguma, apenas um ligeiro frio na barriga com o pouso do avião na pista. Acho que até aquele momento ainda não tinha “caído a ficha” de que estava enfim realizando um grande sonho da minha vida: estar a sós com Deus durante cinco meses para ouvir e aprender dEle.

Aqui chove um pouco e faz frio também, muito até para um nordestino-alagoano. Mas o calor humano aqui tem sido maior do que eu esperava. Na primeira reunião de apresentação do curso, do conteúdo da escola, dos obreiros e professores, senti em meu coração mais uma vez a convicção de que este é o lugar que Deus me trouxe.