no limite da dependência

  

Faltam duas horas pra começar o Niko. Estou ansioso por essa experiência. Serão quatro dias dormindo, comendo e andando na mata, sem nenhum conforto ou regalia. Apenas um saco de dormir, algumas roupas e a comida que nos for dada para administrar durante todo o período do acampamento. Graças a Deus que tem feito sol, meu maior medo era a chuva. Comenta-se que a noite a temperatura chega a graus negativos, por isso estou levando bastante roupas de frio.

Enquanto estivermos no NIKO, estamos orando por provisão financeira para a equipe. Já na segunda-feira temos que pagar as passagens de avião que ja foram compradas. Alguns já tem o dinheiro completo, e outros, assim como eu, não tem nem metade. É um tempo de aprender a ouvir Deus e descansar na sua provisão. Deus foi estratégico com a gente, nos levando para um lugar onde não teriamos tempo de nos preocupar, mas apenas descansar. Enquanto dormimos, ele nos dará.

Obs.: Se você quiser ofertar para esse desafio, na página “Sobre nós” você poderá encontrar o número da minha conta. Deus te abençoe.

Surpresa!

Foi mais rápido do que eu esperava. Já passaram-se os três meses do período teórico da ETED. Muito aprendizado, relacionamentos profundos, transformações que vão além de mudanças de comportamento e muita vontade de trabalhar. E o tempo de por em prática tudo que aprendi aqui chegou. No dia 04 de Maio estaremos saindo do clima frio de Curitiba para o calor do Nordeste.

Ir para minha região por si só já é muito bom. Mas Deus tinha uma surpresa preparada para mim que eu realmente não esperava. Já tinhamos os locais do período prático bem definidos, Irecê e Salvador, mas por algumas problemas e novas direções que recebemos, tivemos que cancelar a viagem para a primeira cidade. E entre as cidades candidatas a preencher a vaga estavam: Maceió, Aracaju e Vitória. Nos reunimos e oramos novamente, buscando saber em Deus qual o desejo do seu coração. Mas algo nos inquietou bastante, afinal, Deus não havia sido claro na primeira vez? Nós ouvimos errado ou Ele mudou de planos? Depois que oramos e nos calamos para ouvir as direções de Deus, senti que deveria rever as palavras que haviamos recebido dEle na intercessão que decidimos por Irecê. E um trecho chamou minha atenção em Isaias 42.12, passagem que a Fernanda havia recebido naquele dia: “dêem honra ao Senhor e anunciem a sua glória nas terras do mar”. Aleluia! Aquela era uma confirmação para mim. Ainda nos reunimos outras vezes para dessa vez ter certeza da vontade de Deus, mas em meu coração uma convicção já se formava; era tempo de ir pra Maceió. E ai vamos nós!

Em maio estaremos em Maceió e em junho seguiremos para Salvador. Estaremos aplicando tudo aquilo que aprendemos nesses três meses em bases de operações da Jocum nessas duas cidades, além de evangelismo em escolas e comunidades, trabalhos com igrejas nos finais de semana e apoio a projetos com crianças carentes. Nas bases de Jocum estaremos ministrando seminários de comunicação, organizando o portifólio dos ministérios e desenvolvendo produtos que auxiliam na divulgação da base, estruturação e organização da missão.

Um desafio
Mas esse período prático é ainda mais especial do que parece ser. Ele é um grande desafio para nós como equipe. Normalmente em práticos de ETED a igreja que recebe a equipe é quem custea todas as despesas do prático. Em nosso desafio as bases que irão nos receber não tem condições de arcar com as despesas de hospedagem e alimentação; todos os custos, incluindo as passagens de avião e ônibus, são de nossa responsabilidade.

E é nesse ponto que eu conto com você. O dinheiro necessário para esse tempo não estava previsto em meu orçamento e tenho necessidades urgentes para passagem, hospedagem e alimentação para as duas cidades. Algumas dessas despesas ja deverão ser pagas no dia 25 desse mês. Esse não é um trabalho individual, de uma missão ou de uma denominação, mas do Reino de Deus e de Seus filhos. Se você se encaixa nesse grupo sinta-se desafiado a participar junto comigo.

O custo total do prático é R$ 1.600,00 (mil e seissentos reais). Você pode contribuir com o valor que sentir em seu coração. Apresente esse desafio a outros, mobilize pessoas na sua igreja, ore por provisão financeira. O número da conta para depósito está logo abaixo. Maiores informações, entre em contato via e-mail ou deixe aqui um comentário.

E-mail:
mczbahiano@gmail.com

Conta:
Banco do Brasil
Ag 1233-5 – CC 26130-0

Bahia, ai vamos nós!

Está definido: a Bahia será o nosso próximo destino! Passaremos dois meses nesse estado tão quente, tão alegre e que tanto precisava conhecer o amor de Deus em sua plenitude.

bahiairece

No primeiro mês ficaremos em Irecê, numa base da Jocum no interior do estado. A base se concentra em uma região simples, com escassez de água e condições financeiras nada favoráveis. Os obreiros dessa base são guerreiros valentes, a começar pelos seus testemunhos. Conta-se que certa vez uma das obreiras foi picada por um escorpião, mas em vez dela quem morreu foi o escorpião. Teremos que ser criativos para implantar um ministério de comunicação numa base onde os recursos são escassos.

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No segundo mês Salvador será o nosso destino. Ficaremos novamente hospedados em uma base de operações da missão, mas trabalharemos em duas delas na cidade: uma no interior e outra mais ao centro. Implantação de um ministério de comunicação, evangelismo e apoio a uma casa de passagem de crianças de rua serão os trabalhos realizados pela equipe nesse tempo.

Além dos trabalhos na base, também estaremos atuando em igrejas nos finais de semana, treinando, evangelizando e pregando sempre que solicitados. E a parte da pregação chega a dar frio na barriga de muita gente. Teremos ainda esse mês aula sobre Homilética (a arte da pregação) e seremos avaliados conformes os critérios e quesitos ensinados nas aulas.

No momento em que oramos pedindo direção a Deus sobre qual o lugar que deveríamos ir, a palavra que Deus trouxe ao meu coração, em duas passagens diferentes da Sua palavra, foi sempre sobre confiança. E isso se aplica bem ao desafio que nos espera pela frente.

Normalmente nas escolas de Jocum o período prático é bancado pelas igrejas que recebem as equipes de missionários; com isso o único custo que os alunos têm nesse tempo são os seus gastos pessoais. Mas existe uma outra situação em que os alunos são desafiados a bancar todo o custo do período prático: quando a igreja ou instituição que receberá a equipe não tem condições financeiras de custear a sua hospedagem. E esse é o nosso caso. Teremos que bancar toda a viagem e temos confiado que Deus proverá todos os recursos para esse tempo. Esteja orando por isso. Em breve estarei divulgando de quanto precisaremos e de que forma você pode contribuir.

 Esse é um tempo de viver experiências não esperadas ou planejadas. Deus tem me surpreendido em tudo e certamente fará o mesmo também nesse momento.

um novo caminho

caminho

Muito tempo sem postar. Essas últimas semanas foram bem corridas por aqui. As últimas aulas foram bem especiais, mas os melhores momentos ainda têm sido os tempos de meditação pessoal e oração. E Deus tem me falado tantas coisas, a maioria delas ainda nem posso comentar muito porque preciso ter discernimento delas. Estou como Maria: ouvindo todas as coisas e guardando no coração. O que sei de mais concreto é que o caminho que Deus tem pra mim é um muito novo, um lugar onde ninguém pisou ainda. Sei disso pelo jeito que Deus está tratando comigo, firmando minhas convicções, me fazendo descobrir quem eu sou Nele, para que eu não seja levado pelas vozes dos que me sugerem para parar pelo caminho. Esse caminho novo me amedronta de certa forma. Outro dia, num momento de intercessão por países da América Latina eu não conseguia parar de chorar. Sentia uma mistura de medo com convicção, uma certeza de que minha vida estava tomando um rumo diferente a partir daquele momento. Um caminho que eu não havia planejado. 

Esse também é um tempo em que tenho repensado as minhas motivações em missões. Aos poucos, ao passo do quanto você vai conhecendo a Deus, o romantismo missionário vai sumindo. Não que o sonho se perca, mas ele toma uma conotação mais realista e menos utópica. Tenho refletido, por exemplo, em como somos um tanto quanto prepotentes em relações a missões, assim como os Estados Unidos é prepotente em se sentir a solução para a paz mundial. Eu não sou a solução de Deus para o mundo. Sou privilegiado por ser usado por Ele para abençoar nações, mas isso é assunto para um outro post. 

Faz um tempo que enviei a segunda leva de cartas para os meus sócios ministeriais, que me apóiam compartilhando recursos ou intercedendo. Deu certo trabalho fazer cada envelope de forma artesanal, e no final não funcionou da maneira que eu planejei, pois o correio não aceitou a postagem como carta social. Gastei 10 vezes mais do que estava esperando, mas glória a Deus. Espero que todos tenham gostado da carta, pois foi feita com muito carinho. 

Ainda essa semana estaremos definindo o local para onde iremos no período prático da escola. Estamos entre São Paulo, Salvador e Irecê – as duas últimas, cidades na Bahia. Só poderemos escolher duas delas. Agora é orar e pedir direção a Deus sobre quais devem ser os próximos a serem tomados.  Até mais.

Em breve, mais novidades.

estratégias ultrapassadas

Quando pensei em vir a Jocum imaginei que muita coisa mudaria em meu modo de ver as coisas, que eu seria curado das minhas dores e que Deus daria direção para o meu ministério. Tudo isso tem acontecido, só que numa proporção e sob uma ótica que eu não imaginava. Chegando aqui eu descobri que eu não sou o centro, que o meu próximo deve ser o principal alvo de minha preocupação. Mais do que isso: descobri que meu modo de ver missões, evangelização, o “ganhar almas”, estava muito, mas muito a quem da realidade do mundo que vivemos.

Hoje vejo o quanto nós como igreja estamos alienados com relação ao mundo ao nosso redor. Não entendemos o grito de nossa geração porque simplesmente não paramos para ouvi-la. É mais cômodo nos encondermos em nossas igrejas, “fugindo do pecado” e não nos relacionando com “os pecadores”. Quanto preconceito, cegueira e religiosidade. Onde estão os profetas do nosso tempo? Onde estão aqueles que ouvem e entendem o grito da nossa geração?

Durante uma das aulas, um professor falou de algo que ficou martelando em meu coração. Quem vai alcançar essa moçada que passa o dia inteiro trancada em uma quarto, em seus jogos de computador, suas amizades virtuais e quase nenhum contato com o mundo fora das suas quatro paredes? Alguns deles só se encontram com os seus amigos virtuais pessoalmente quando decidem tirar sua própria vida, por entender que ela não vale mais a pena. De que maneira nossas “estratégias de evangelismo” alcançarão essas pessoas? Teatro de pantomima? Entrega de folhetos/panfletos? Impactos de rua? Pregações e gritos a plenos pulmões em praça pública? Concentração de adoração? Tá na hora de repensar o modo como revelamos o reino de Deus ao nosso próximo.

Uma dica: relacionamentos!

quando bate a saudade…

O que mais aperta nos dias de folga (domingo e segunda), não é a saudade de casa. É a companhia dos amigos (incluindo ai primos e irmãs). Saudade do rir junto, do chorar, do conversar, de zuar o outro e ser zuado também. Hoje eu tava vendo as fotos do retiro de carnaval da minha igreja e o casamento de dois grandes amigos meus (Eri e Rose). No retiro estavam todas as pessoas que amo na minha igreja, todos os amigos do ciclo INSEJEC, da fase mais recente da minha vida em Maceió. No casamento estavam os meus amigos do Tabuleiro, da fase ‘Bléia de Deus’, assim que cheguei em Maceió. Dois ciclos, vários amigos e muita saudade. O que mais dói em estar aqui não é exatamente o fato de estar longe da minha terra, mas estar longe das pessoas que amo.

“a semana”

Essa foi a melhor semana de aulas, pelo menos até agora. Na verdade tenho me surpreendido, porque cada professor tende a superar o anterior; isso tem me deixado impressionado com o alto padrão de qualidade no conteúdo das aulas.

No começo da semana estudamos “Comunicação I”, uma aula com o publicitário Vavá Rodrigues, vindo de São Paulo. Entre os comerciais criados por ele, posso citar o da Brastemp (“Não é assim uma Brasteeeemp…”), o da Varig (“550km! 550km! Para um pouquinho, descansa um pouquinho…”) e da Faber Castel (com a música “Aquarela”). Ele também é autor de várias músicas, sendo a mais conhecida a “A alegria está no coração”. O cara manda muito bem no violão e arrasa no jingles. Não bastasse tudo isso, tem uma ótima didática nas aulas e uma sensibilidade pouco vista na escola até agora. E pasmem: é cristão. Um exemplo perfeito sobre o papel do cristão influenciando o mundo, sem precisar se isolar dele.

Hoje tivemos uma aula (que continuará amanhã) com a Denny, formanda em jornalismo, estudante de cinema e missionária da Jocum. Ela está ministrando “Comunicação II – Cinema”, mas a aula tem muito mais do que cinema. É praticamente uma aula de sociologia cristã. É de fazer pirar o cabeção. Ao final da aula eu só conseguia pensar no quão pouco eu tenho feito hoje e sobre quão pequena é a minha visão em relação ao tamanho do reino de Deus. Acredite: ele é maior do que você, que está lendo isso aqui agora, imagina.

E estou apenas no primeiro mês de aula. Ainda temos tanto pra aprender, tanta informação pra absorver e tanta gente boa pra conhecer. Fico feliz por saber que isso é só o começo.

Ah, ontem a balança me contou que eu engordei 6 quilos em quatro semanas (praticamente um quilo e meio por semana). Eu vou tentar comer menos, mas não sei se consigo. A comida daqui é boa demais e o frio não nos deixa emagrecer.

A Cibele, uma grande amiga alagoana, veio aqui conhecer a base no feriado de carnaval. Foi muito bom ter uma amiga-irmã, nodestina e alagoana pertinho de mim. Pudemos conversar muito e compartilhar das coisas que Deus tem trazido ao nosso coração.

Esse é um tempo especial e único. Não sei sobre o depois, mas quero muito aproveitar o agora, pois sei que esse é o tempo especial que Deus separou para mim. Não é lugar e nem a missão, mas é a minha disposição de deixar tudo para estar com Ele que fazem toda a diferença.

um sonho, um lugar

Hoje eu fiquei aqui olhando pra onde Deus me trouxe e só consigo agradecer. Numa sala temos aula com um publicitário cristão que nos apresentou Jesus como o maior publicitário-comunicador da história da humanidade. Na outra sala, uma equipe estuda e esquematiza o roteiro para o desenvolvimento do seu primeiro curta-metragem em 3D. Horas antes, tivemos uma reunião onde começamos a organizar o próximo congresso nacional da missão, com espectativa de participação de 700 pessoas. Isso sem contar a delícia que é conhecer gente de todo o país, com todos os sotaques e com toda a motivação correta em Deus para conhecer e fazer a sua vontade. Há muitas outras coisas que eu desejo/sonho em fazer, lugares para estar, pessoas pra conhecer, cursos para estudar. E sei que esse é apenas o primeiro lugar dos muitos por onde eu vou passar.

um dom, um chamado

Há alguns anos atrás surgia em meu coração uma paixão por missões. Tempos depois eu conhecia a Jocum e sonhava em ser missionário em tempo integral. Já não interessava mais estudar, trabalhar ou desenvolver qualquer vocação “secular”. O meu coração pulsava apenas por falar do amor de Deus às pessoas. Um sonho puro, com uma motivação correta, mas ainda muito imaturo.

Após duas semanas apenas, Deus tem trazido um entendimento novo e diferente sobre missões, onde missionários formados ou com uma vocação e experiencia profissional definida podem frutificar no reino de Deus, cada um segundo a sua espécie. Um missionário jornalista, designer, relações-publica, cartunista… todos usando os seus dons e talentos a serviço do reino, para propagação da mensagem da cruz; ou mesmo incentivando o vocacionado que, como eu, um dia recebeu o chamado de Deus, sentiu uma dor no estomago, o coração acelerar e não sabe o que fazer ou para onde ir.

Saber que Deus me ama como eu sou e mais, que pode me usar com meus dons e talentos, me faz me sentir cada vez mais amado e vocacionado a servi-lo com toda a minha força, com todo o meu coração e por todo o tempo da minha vida.

amanheceu

São 06h30 da manhã, o celular desperta avizando que é hora de acordar. Do meu beliche olho pela janela e vejo apenas névoa, nem sinal do sol pra hoje.  Pulo da cama e vou correndo direto para o segundo lugar mais quentinho daqui: o chuveiro a gás, com água morna, de onde demoro a sair. Os outros dois lugares quentes são a cozinha e a minha cama. Fora o chuveiro todo o resto é frio: a água da torneira é fria, ao ponto de doer os dentes na hora da escovação; o assento do sanitário… sem comentário. As 7h tenho que estar lá em baixo, me visto de calças, camisas, moleton e sapato com meia e saio para o meu tempo de meditação, onde vou orar e ter um tempo a sós com Deus ouvindo-o através de sua palavra. É um tempo gostoso, que só é interrompido pelo soar da sirene avisando que é hora do café da manhã, às 8h.

As 8h30 começa a aula. E dai até as 12h30 meus olhos nem piscam direito. É tudo muito novo, muito bom e muito transformador. Transformando o carater, a visão, o modo de ver o mundo, as coisas, as pessoas. Uma nova visão e direção pra entender qual realmente é a minha missão. E ao final do dia eu percebo o quanto foi bom eu ter enfrentado todos os meus medos de deixar tudo para estar aqui. Tem valido a pena e eu estou feliz.

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